// você esta lendo...

apple

Como funcionará a computação em nuvem Apple-Google

Introdução a Como funcionará a computação em nuvem Apple-Google

Em seu novo livro, “The Big Switch: Rewiring the World, from Edison to Google” (A grande virada: reconectando o mundo de Edison ao Google), o especialista em computadores e ex-editor executivo da Harvard Business Review, Nicholas Carr, discute as mudanças que ele prevê para o futuro da computação.

Uma das alterações mais dramáticas será a transição para o conceito de computação em nuvem – sob o qual os aplicativos e arquivos ficariam armazenados em um imenso supercomputador ou rede central e os usuários obteriam acesso aos seus arquivos usando computadores mais enxutos e menos sofisticados do que as máquinas atuais.

Computacao Nuvem

John Todd/Sun Microsystems/Getty Images
Nicholas Carr acredita que as gigantes da tecnologia – Google e Apple – podem estar à beira de criar um sistema de computação em nuvem

Em 17 de outubro de 2007, Carr levou a idéia um passo adiante, em um post em seu blog na Rough Type. Ele apontou para duas das mais quentes empresas de tecnologia, Google e Apple, e afirmou que elas estão à beira de uma parceria sob a qual a Apple produziria um hardware barato que usuários poderiam carregar consigo, e que o aparelho ganharia acesso ao poder de computação das vastas centrais de processamento de dados que o Google vem construindo para hospedar aplicativos e dados para milhões de usuários.

A idéia de computação em nuvem certamente não é novidade. Larry Ellison, da Oracle, lançou a New Internet Computer (NIC), em 2000, para estimular o avanço da indústria nessa direção. O conceito é bastante simples: em sua mesa, você teria um computador de custo muito baixo, com apenas processador, teclado e monitor. Não haveria disco rígido ou drive de CD/DVD. A máquina estaria conectada à Internet e teria acesso a um supercomputador central, que hospedaria todos os seus programas e arquivos. No entanto, a idéia era prematura. As vendas da NIC foram muito baixas, provavelmente devido à escassez de banda disponível nos Estados Unidos [fonte: PCWorld (em inglês)]. A empresa fechou as portas em 2003.

Mas por volta de 2006, quase 75% dos domicílios norte-americanos dispunham de acesso doméstico em banda larga [fonte: Neilsen/NetRatings (em inglês)]. Será que uma parceria entre Google e Apple poderia tornar a computação em nuvem um fenômeno generalizado? E, caso a idéia avance, o que Apple e Google teriam a ganhar com ela? A maior questão de todas: caso um computador desse tipo seja construído, alguém vai querer usá-lo?

Um googlilhão de potência

Um googol representa o número um seguido por 100 zeros. O nome do Google deriva do desejo de seus fundadores de manter um registro sobre o imenso volume de informações disponíveis na Internet [fonte: Google (em inglês)]. À medida que a empresa crescia, ela começou a oferecer mais serviços do que simples buscas na Web. Por meio de inovações desenvolvidas internamente e aquisições de outras companhias, o Google criou o que hoje conhecemos como Google Docs, um pacote de aplicativos disponíveis via Web (em inglês) que inclui processador de texto, programa de planilhas e programa de apresentações. Com o Gmail, isso coloca o Google em concorrência direta contra a Microsoft. E, ao contrário do Office, o Google Docs tem custo zero.

Os serviços hospedados são a espécie de aplicativo que poderia ocupar posição central em um sistema de computação em nuvem, o que representa apenas uma das razões para que seja perfeitamente viável que o Google representasse o parceiro perfeito de infra-estrutura em uma aliança com um produtor de hardware. A máquina do Google, na verdade uma rede de máquinas, oferece impressionante poder de computação e também capacidade de reserva.

O Google já armazena backups múltiplos de informações em seus equipamentos e, se uma parte da máquina apresenta defeitos, pode ser substituída por outra sem quaisquer perdas de informação [fonte: Baker (em inglês)]. Usar um computador em nuvem hospedado na imensa infra-estrutura do Google libertaria o usuário da necessidade de levar arquivos com ele – nada de pen drives, discos rígidos de laptops, CDs, DVDs e outras formas removíveis de mídia. O usuário poderia trabalhar em um projeto de casa, do escritório ou em um aparelho portátil, enquanto estivesse em movimento.

Com um computador em nuvem, o usuário provavelmente não pagaria por software. Usando aplicativos hospedados no servidor, a máquina local teria todo o software (em inglês) de que precisaria para trabalhar, sem precisar armazená-lo localmente. Não seria preciso atualizar o software quando surgem as novas versões – e todos os participantes da nuvem usariam o mesmo software, o que evitaria problemas de compatibilidade.

Mas o que isso representaria para os homens de negócios que precisam viajar a trabalho? Um computador em nuvem requereria conexão com a Internet e os aviões atuais não oferecem essa capacidade, ainda que existam linhas aéreas que planejam oferecê-la. A pessoa seria obrigada a passar o tempo lendo ou assistindo ao filme exibido durante o vôo. O usuário também teria de confiar ao Google, ou a qualquer outro provedor, a guarda de seus documentos. Muitas empresas não permitem que seus documentos internos sejam utilizados por pessoas do lado de fora de seus firewalls. Será que elas mudariam de idéia se a maioria dos negócios fossem conduzidos sob um modelo de computação em nuvem?

Google Nuvem

Craig Mitchelldyer/Getty Images
Em 2006, o Google construiu dois imensos centros de computação em The Dalles, Oregon. Cada um tem o tamanho de um campo de futebol, e um sistema de refrigeração imenso é necessário para proteger os computadores instalados.

Um dos grandes problemas gerados pela criação de um computador em nuvem seria o volume de eletricidade requerido para fazê-lo funcionar. O Google construiu seu centro de dados em The Dalles, Oregon, devido ao acesso de alta velocidade à Internet propiciado por linhas de fibra óptica e devido à proximidade da represa Dalles [fonte: Gilder (em inglês)]. O Google precisa de muita eletricidade para acionar o equipamento de refrigeração necessário para manter em funcionamento milhares de servidores. Os dois edifícios do tamanho de um campo de futebol abrigam, cada um, uma central de refrigeração de quatro andares de altura [fonte: Markoff and Hansell].

Caso o Google ainda não seja capaz de oferecer o poder de processamento necessário para acionar um sistema mundial de computação em nuvem, é certo que está a caminho de adquirir essa capacidade. Mas por que a empresa formaria uma parceria com a Apple para fornecer hardware ao usuário final? Na próxima seção, a opinião de Carr e a opinião de alguns críticos.

Por que Google e Apple?
The Apple iPhone
Courtesy Apple
Com o sucesso do iPhone, a Apple se tornou a queridinha do setor de telefonia móvel. Carr acredita que a empresa possa aplicar sua capacidade de design à criação de um aparelho popular e barato para computação em nuvem.

Por que Carr e outros acreditam que o Google esteja tão interessado em criar uma rede (em inglês) de computação em nuvem para as massas? A idéia não é difícil de desenvolver. O Google se tornou uma das maiores empresas de computação do mundo e, com certeza, interessa-se por novas idéias e novas oportunidades de negócios.

O presidente do Google, Eric Schmidt, tornou-se integrante do conselho da Apple em agosto de 2006. Quando questionado sobre a idéia de uma parceria com a Apple, em entrevista à revista Wired, em dezembro de 2007, ele respondeu com franqueza: “O modelo de arquitetura do Google, que gira em torno da banda larga, serviços e assim por diante, e funciona muito bem com os poderosos aparelhos e serviços que a Apple vem desenvolvendo. Somos o perfeito fornecedor de infra-estrutura para os problemas que eles desejam resolver” [fonte: Vogelstein (em inglês)].

De acordo com Carr, a Apple não dispõe de poder de supercomputação da ordem requerida para cuidar do aspecto de infra-estrutura da parceria. Não existem muitas organizações que o tenham. Apenas Google, Microsoft, Yahoo, IBM e Amazon teriam essa capacidade, diz Prabhakar Raghavan, diretor de pesquisa do Yahoo [fonte: Baker]. Google e Apple são parceiros há anos. Caso a Microsoft obtenha sucesso em sua oferta de aquisição do Yahoo anunciada em 1° de fevereiro de 2008, a combinação entre as duas empresas poderia bancar um sistema sofisticado de computação em nuvem.

Se Google e Apple formarem uma aliança para essa espécie de empreitada, eis o que Carr imagina para o seu computador em nuvem.

* Baixo custo: a máquina que o usuário adquiriria custaria menos de US$ 200 e não haveria custo para os aplicativos ou pela transferência de dados.
* Ecológico: com um chip de baixo consumo de energia e memória flash, um cliente enxuto – ou computador de rede – da Apple não utilizaria disco rígido ou drive de mídia óptica, o que consome muita energia.
* Fácil manutenção: a ausência de disco rígido ou de drive óptico significaria menos partes móveis, o que aumentaria a durabilidade do aparelho.
* Fácil atualização: o usuário não precisaria se preocupar com a atualização de software, já que o sistema cuidaria disso. E a máquina poderia ser usada até a hora de jogá-la fora [fonte: Carr].

Em um acordo como esse, diz Carr, a Apple venderia o hardware e o Google subsidiaria o custo de fornecer os servidores por meio de publicidade, da mesma maneira que o faz nos outros negócios em que opera. Schmidt disse que o Google ofereceria o máximo possível de serviços gratuitamente, ainda que a empresa acredite que os usuários mais avançados possam ser convencidos a pagar por acesso a recursos superiores.

Robert Cringely, um conhecido repórter e colunista de tecnologia, concorda com Carr quanto à possibilidade de uma parceria entre Google e Apple para computação em nuvem, mas também acredita que o negócio seria menos simples do que Carr descreve. Em vez disso, a personalidade de Steve Jobs, o lendário co-fundador e presidente da Apple, poderia servir como fonte de irritação a Schmidt e o Google. “Schmidt (e Carr) vêem a situação do aspecto de a Apple não dispor de um supercomputador, mas Jobs acredita com igual firmeza que o Google não sabe operar o supercomputador de que dispõe, e além disso ele poderia alugar um supercomputador sempre que precisasse dele. Em resumo, é isso” [fonte: Cringely (em inglês)].

Cringely acredita que a Apple produzirá o aparelho para computação em nuvem previsto por Carr, mas que também produzirá outros aparelhos para a mesma função, a preços variados. Ele diz que a Apple seria a empresa dominante na parceria e que o Google ficaria em posição secundária.

A Apple poderia mesmo encontrar outros parceiros para fornecer serviços aos seus consumidores? E se o Google e a Apple se unissem? Alguém seria capaz de enfrentá-los? Aprenda mais sobre os esforços de computação em nuvem na próxima página.

Fonte e Créditos: http://informatica.hsw.uol.com.br/rede-apple-google.htm

Tópicos Relacionados

Comentários

Nenhum Comentário para “Como funcionará a computação em nuvem Apple-Google”

Envie um Comentário