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Mobilidade

TV aberta no celular: por quê pagar por isso?

Celulares Anatel

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Faz pelo menos três anos que a Europa já tem celulares com receptores de televisão digital embutidos. Os primeiros modelos com que tive contato estavam à mostra na Cebit de 2005, maior feira de tecnologia do mundo, em Hannover (Alemanha). Alguns tinham até anteninha para captação do sinal —algo que já não está mais presente em modelos como o Nokia N77, lançado em 2007 (e, portanto, já velhinho para um mercado tão dinâmico).

É engraçado, pois, ouvir o pessoal das operadoras de telefonia celular falando de “mobile TV“. Querem fazer dinheiro com qualquer coisa. E, ao que parece, a qualquer custo. De preferência, para o usuário.

O raciocínio mais simples seria usar as ondas de TV digital aberta que já trafegam pelos ares brasileiros e embutir receptores do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital) nos aparelhos. A responsabilidade é da fabricante do aparelho, e o custo do aparelho já traria, também embutido, o custo do receptor.

Acontece que celular já virou commodity. Na gloriosa sociedade da informação, hardware é vento (e vira lixo em seis meses, um ano). As operadoras dão até celular de graça para manter uma base de clientes ativa e pagante. Mas, no caso da TV digital, de onde viria o dinheiro? Ah, claro! Transmitindo o mesmo sinal de TV aberta que já circula por aí lindo, leve e solto através de sua rede privada, via 3G, para seu aparelho. Não é genial? Em vez de acessar um sinal que já está a seu lado, você consome banda, aumenta sua conta de celular e pode se exibir para os colegas.

Mas… vale mesmo pagar para assistir Faustão? Acredito que não.

Neste formato, a TV móvel adotaria o mesmo princípio que ainda mina o potencial do celular como dispositivo de acesso à Internet. Veja, por exemplo, o 3G —se seu aparelho tem Wi-Fi, por que você pagaria por um plano de dados 3G para acessar a Web em alta velocidade se pode fazê-lo de graça em casa ou nos milhares de cafés, restaurantes, hotéis, lan houses, lojas etc. que oferecem Wi-Fi de graça por aí? O 3G vira um backup, e não a estrela principal.

Por isso as operadoras fizeram (e ainda fazem) um esforço tão grande para minar o WiMax. Já imaginou uma rede de dados em alta velocidade com alcance de dezenas de quilômetros que permitisse conexão em banda larga em movimento? Para quê você precisaria do seu celular? Ou melhor —para onde iria sua conta telefônica se você tivesse um celular com Wi-Fi e instalasse nele um programinha de VoIP (Voz sobre IP)?

É a famosa casquinha. Todo mundo quer tirar a sua. E enquanto as empresas, sejam quais forem, tentam puxar a sardinha para o lado delas, a gente tem que ficar muito esperto para manter a nossa ao nosso lado.

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