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Tecnologia

Inventor americano apresenta ‘foguete particular’ de US$ 100 mil

Nesta terça-feira, um inventor da Nova Zelândia planeja revelar o que ele chama de “o primeiro jato prático do mundo” durante o EAA AirVenture, um gigante e anual show aéreo da região. O inventor, Glenn Martin, 48, que gastou 27 anos desenvolvendo o dispositivo, disse que espera começar a vender o aparelho ano que vem por U$100 mil cada.

“Não existe nada que chegue próximo do que esse jato permite,” disse Robert J. Thompson, diretor do Centro Bleier para Televisão e Cultura Popular da Universidade da Syracuse. Ele disse que esse é “um dos maiores desejos que o ser humano ainda não realizou.”

Piloto apresenta o Martin Jetpack, máquina para vôo individual dotada de duas turbinas, motor de quatro cilindros em V e capaz de voar por 30 minutos a 2.400 metros de altura.

O inventor Glenn Martin posa com o veículo, que será vendido por US$ 100 mil – ou cerca de R$ 160 mil – nos EUA. (Foto: Andy Manis/The New York Times)

Teste

Em dois testes realizados no jardim de um amigo de Martin, o jato saltou do solo como se estivesse impaciente para entrar em movimento, espalhando uma fumaça suja e pedaços de grama.

Com dois discos de assustadores 200 cavalos de potência nos meus ombros e lâminas rangendo feito armadura de pás de ventiladores, parecia que eu mesmo estava fazendo a decolagem, com músculos que eu não sabia que tinha. Senti como se estivesse vivendo no futuro – e, ainda melhor, o futuro que imaginávamos tempos atrás quando ele era uma coisa a ser esperada e não temida.

Pressionando a alavanca direita para frente, o lançamento começa suave e o jato avança alguns metros do gramado. Martin e um colega seguram o equipamento em uma espécie de corrimão e correm ao lado como pais que ensinam os filhos a andar com a bicicleta sem rodinhas.

Então, uma curva se aproxima, e Martin me joga para a direita para evitar algum equipamento no chão, trazendo a jato para muito próximo de uma árvore. O limbo foi sugado pelos discos por um breve, mas nauseante barulho, como se uma batedeira tentasse fazer uma margarita com galhos. Por sorte, Martin guardou algumas partesm do equipamento e montou uma oficina para substituir o disco danificado.

Martin começou a transformar seu sonho em realidade ainda na faculdade. Enquanto estudava bioquímica, desenvolvia na biblioteca um estudo detalhado sobre propulsão e pesquisava a metodologia dos irmãos Wright. Mais tarde, trabalhou em indústrias farmacêuticas e de biotecnologia, mas muito do dinheiro que ganhava ia direto para o trabalho que realizava na garagem de casa. Ele criou uma rede de entusiastas que o ajudaram a desenvolver suas idéias.

Estrutura

A atual versão do produto, a 11º, pesa aproximadamente 113 quilos e fornece 272 quilos de propulsão. Inclui dispositivos de segurança como o chamado pára-quedas balístico que contém um pequeno explosivo carregado para um veloz posicionamento estratégico em qualquer caso de emergência – como aqueles usados em pequenos aviões.

O pedestal que forma o suporte principal do dispositivo tem um mecanismo que absorve impacto para que a aterrissagem seja suave. O peso da máquina e do corpo da pessoa estão localizados abaixo dos discos para criar uma efeito de pêndulo que desencoraja o aparelho a inclinar para cima e para baixo, criando o efeito conhecido como dardo ao solo.

“As pessoas me perguntam se isso é seguro,” contou Martin. “Segurança é um conceito relativo. Acredito que fizemos o possível para que esse seja o jato portátil mais seguro já construído.” Mas reconhece que não é de altíssimo nível.

“Eu não posso ficar pensando que em algum lugar, alguém vai ter uma experiência muito ruim.”

Até agora, disse, ele e sua equipe não lançaram o equipamento para mais de 1,8 metro. “Essa é uma marca proposital,” alegou Martin, para assegurar o controle total da invenção antes de testar marcas mais altas. “Se você pode voar a três metros, você pode voar a três mil,” disse.

Somente 12 pessoas voaram no jato e ninguém ganhou mais que três horas no ar. Martin planeja levantar 150 metros do chão em seis meses. Dessa vez, disse com um sorriso, ele será o primeiro.

Martin disse não ter idéia sobre como sua invenção será usada no fim das contas, mas ele tem ambições. Repete a história de Benjamin Franklin, quando o primeiro balão de ar quente foi visto e ele foi questionado: “Para que serve isso?”. Franklin teria respondido, “para que serve um bebê recém-nascido?”

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