Em se tratando de consoles, não há nenhum simulador de corridas que se equipare a Forza Motorsport 2. Por certo há ótimos aspirantes, como Toca, da geração passada. No entanto, um game que reúna elementos realistas o bastante para agradar a fanáticos e ainda consiga divertir novatos sem frustá-los é raro. Por conta disso, só resta utilizar exemplos vindos do PC, plataforma em que o gênero arrebenta. Em se tratando de comparação, FM2 se igualou e até ultrapassou vários dos aspectos de destaque dos melhores títulos: o som conseguiu superar GT Legends e a simulação física equipara-se a de Live for Speed (isso mesmo, Live e não Need). Visualmente, dá um banho nos dois. Com folga.
Em relação ao primeiro Forza, lançado no Xbox, a diferença é de cair o queixo. Absolutamente tudo está melhor, obviamente por conta do hardware do X360, que explica como um jogo de corrida pode (e deve) ser na nova geração: o jogo saltou dos 30fps no console anterior para 60fps. O que significa que a iluminação dinâmica está mais convincente do que foi vista em Project Ghotam Racing 3 (possivelmente melhor exemplo de luz no gênero corrida), os controles estão precisos mesmo para quem utiliza o joystick (a maioria) e, já que as melhoras foram tantas, até a navegação pelos menus tornou-se intuitiva.
Como padrão em todo jogo de corrida que se preze, há modalidades para marcação de tempo, teste livre e carreira. As duas primeiras são indicadas para se acostumar ao jogo porque, acredite, aprender a pilotar decentemente exige paciência e perícia. Há opções para simplificar a dirigibilidade, com o objetivo evidente de atrair os menos fanáticos. A grande sacada, porém, é que no modo carreira todas as alterações que facilitama sua vida têm um contraponto: premiações menores e avanço lento no jogo. Escolha desligar o sistema de antitravamento dos freios (Anti-lock Braking) e o dinheiro ganho e caso de vitória é maior. Desligue também o auxílio de tração (Traction), estabilidade (Stability) e câmbio automático (Shifting) e você fará uma grana preta em pouquíssimo tempo. Em suma, os melhores merecem ganhar mais. Justamente o que o jogo propõe.
Acontece que o equilíbrio entre dificuldade e premiação vai além. Você pode ainda escolher se os danos serão realísticos ou moderados, se haverá desgaste dos pneus, decidir sobre o uso de linha auxiliar para frenagem e aceleração – uma indicação colorida que mostra na pista o traçado adequado e os pontos em que você deve diminuir (vermelho) e aumentar (verde) a velocidade – e até o grau de agressividade da Inteligência Artificial. De novo, quanto mais difícil você deixar a corrida, mais dinheiro ganha. Para melhor mensurar o que isso significa na prática, considere a forma com que eu estava jogando: dano e pneus em modo simulação, IA média, câmbio automático e nenhum tipo de auxílio renderam 35% a mais de dinheiro a cada vitória.
O desenrolar no modo carreira sempre gira em torno da quantia ganha nas provas. Você progride sempre de duas maneiras: no nível do carro e de pilotagem. É complexo e vale a pena entender. Seja lá o bólido escolhido, ele começa do nível zero de “reputação”. Essa contagem é feita por carro. Digamos que você use uma Ferrari e ganhe algumas provas. Num determinado momento, ao progredir o nível da máquina, não só a montadora italiana passa a oferecer bônus, mas outras empresas européias. Um turbo pela metade do preço, um determinado pneu com 25% de desconto e por aí em diante. Quando você muda de torneio e, evidentemente, escolhe o veículo propício, um Mustang, por exemplo, o avanço é contado para ele. De novo, progrida e empresas passarão a dar descontos em peças. A questão é que tais ofertam valem apenas para o carro em uso. Ou seja, se quiser voltar a usar a Ferrari e comprar peças para ela, ótimo. Porém, caso pegueoutro carro, pagará os valores cheios pelas melhorias. Já o progresso do piloto, ou seja, o seu, rola independentemente do carro que esteja em uso. Isso funciona como ingresso em determinadas provas mais avançadas. Há as que pedem pilotos entre os níveis 1 e 10, outras exigem progresso até o 15, 25 e as mais insanas pedem o nível 40.
Esse sistema de progressão só não é perfeito porque a produtora deixou escapar alguns deslizes no balanceamento. Como? Todo torneio vencido garante um carro a mais na garagem. Acontece que determinadas provas, que são divididas por potência ou marca, permitem utilizar veículos muito mais potentes do que o dos adversários, o que torna desleal a partida. A boa notícia é que isso acontece até o nível 25, em que as corridas possuem uma tolerância maior entre os carros.
Dali em diante, quando os campeonatos exigem motores mais similares, o caldo engrossa. Mesmo que você queira diminuir a dificuldade, vai suar muito para ganhar as provas, pois o grid (posição dos carros na largada) fica equiparado em desempenho. Aí chegamos a outro ponto interessante do jogo, a Inteligência Artificial. Em FM2, os adversários passam facilmente por jogadores reais. Chega a assustar a forma realista com que atuam. Nunca, em hipótese alguma, agem deslealmente; no entanto, defendem-se com unhas e dentes, mudam o traçado para atrapalhar, freiam e o que mais for preciso para ganhar a posição ou mantê-la. Agora considere isso ao participar de um torneio em que os carros são exatamente da mesma categoria, com potências equilibradas e que se distinguem apenas nos ajustes mecânicos, como altura, relação de marchas, cambagem das rodas e afins. Isto é desafio de verdade, então, esqueça trilhos (cof Gran Turismo cof) e ações predeterminadas.


