Este é um jogo simples e sem frescuras. Se fosse para resumir bem, bastaria dizer que tudo gira em torno do terreno, de como o seu carro se comporta nos mais diversos tipos de pistas e de quais pneus você escolhe e como eles interagem com o chão e, melhor de tudo, a maneira com que o deformam a cada instante. Acredite: você prestará tanta atenção ao incrível sistema de deformação, que será difícil perceber outros detalhes, como curvas fechadíssimas e um punhado de outros carros disputando a prova simultaneamente, bons o bastante para deixá-lo comendo poeira no menor dos vacilos.
Ok, então pensando melhor, talvez o jogo não seja assim tão simples e sem frescuras. Percebe a sutileza? Mesmo que você não queira, esta é a sensação passada. É o charme de Sega Rally. Em um mar de títulos de corrida que tentam passar a idéia de realismo e da complexa tecnologia envolvida nas prova de rally, Sega Rally simplesmente o coloca numa pista que mescla asfalto, terra, neve, água e exige que termine em primeiro enquanto briga com as mudanças repentinas na dirigibilidade.
A preparação que antecede cada prova é moleza. Este não é um jogo que entope o usuário de estatísticas. Na verdade, a escolha do veículo segue mais um padrão de gosto pessoal e experimentação. As diferenças são mínimas e quase não interferem no resultado. Um pouco além disso, você opta entre dois tipos de pneus: de corrida, que oferece maior velocidade, e off-road, para garantir melhor tração. E mais nada.
Quando a luz verde acende, você é sugado pela diversão proporcionada. Pra começar, as pistas têm praticamente vida própria. Cada terreno exige um esforço diferente dos pneus para manter o traçado. Por outro lado, esse esforço gera deformação no terreno. Além da insanidade de nunca dar uma volta igual a outra, ainda surge o dilema de decidir entre manter o carro no traçado limpo ou enfiar a cara na sujeira. Sem falar que os sulcos causados na terra permitem voltas cada vez mais rápidas.
Ainda por conta da deformação e das mudanças de dirigibilidade causadas por ela, chegamos ao ponto em que a disputa se torna acirrada. Quando você está atrás, o fato de já existir um trilho feito pelo adversário da frente facilita a sua vida. No entanto, se você estiver em primeiro, a coisa se complica, afinal, não há trilha e a tração ainda está insuficiente.
É justamente esta fluidez presente sutilmente no jogo que garante o entusiasmo. Sem desmerecer nenhum outro título, evidentemente, mas a característica dá um toque extra a Sega Rally. A equação ainda recebe a presença dos cinco oponentes com que você briga durante a corrida. Os caras são bons, utilizam bem o traçado e andam num ritmo alucinante. Por isso, sua atenção é exigida constantemente. Um errinho, por menor que seja, basta para perder a posição. E aqui está outra qualidade da produção: cada ultrapassagem feita por você garante uma sensação de vitória. Fazer uma curva corretamente, abrir um segundinho de vantagem e ampliar a distância em relação aos adversários é recompensador. Só não erre, pois a conseqüência é devastadora. Não porque os carros quebrem (porque não quebram mesmo), mas simplesmente porque os oponentes são ninjas e vão deixá-lo para trás com uma facilidade impressionante.
Com poucas falhas, a única restrição para Sega Rally não levar um sonoro 10 no review é a falta de variedade. Mais pistas seriam bem-vindas, no entanto, isso não tira o brilho da produção nem siginifica que você não deva comprá-lo. Só serve para pensarmos nos detalhes que a produtora deve colocar num eventual próximo Sega Rally.

